sábado, 8 de abril de 2017

Longe de casa

Há cerca de um ano e meio, conheci a Maha, refugiada vinda do Líbano.

Ela e os irmãos são apátridas. Isso porque são filhos de um libanês cristão e uma muçulmana. Por isso, o Líbano lhes negou a nacionalidade. Sem nacionalidade, sem direitos.

A Maha contou as dificuldades de não se ter uma nacionalidade. Desde coisas simples como ir a uma boate com os amigos até frequentar uma faculdade.

Assim, resolveu enviar cartas para diversas embaixadas, pedindo refúgio. Como ela mesma explicou, nenhum refugiado deixa seu país de origem, sua família, suas raízes, por vontade própria. Deixa porque está numa situação extrema, porque não possui uma nacionalidade, como no caso de Maha, ou porque sua vida corre risco de alguma forma.

O único país do mundo que abrigou Maha e seus irmão foi o Brasil.

Maha veio viver em Belo Horizonte, com uma família que conheceu pelo Facebook.

Quando conheci Maha, por meio do Comitê Estadual de Atenção ao Migrante, Refugiado e Apátrida, Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Erradicação do Trabalho Escravo (Comitrate), da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) do Governo de Minas, ela tinha acabado de chegar a BH com a irmã e o irmão. 

Ganhou carteira de identidade, passaporte, conta bancária, emprego, tudo o que ela não teve antes.

E estava encantada com a cidade.

Disse que aqui tinha a segurança que não tinha no Líbano. No seu país, a cada esquina, a ameaça de uma bomba.

Essa é a parte bonita da história de Maha no nosso país.

A parte triste: hoje, soube que seu irmão foi assassinado numa tentativa de assalto, aqui, em BH, bem distante do seu país, sempre em guerra, sempre sob a ameaça de bombas. Aqui, como lá.