quinta-feira, 25 de maio de 2017

Sobre a decisão de se dar uma criança para adoção

A Lúcia (*) foi diarista na minha casa por muitos anos. Teve o primeiro filho aos 16 anos. Sua mãe, dona Olga, também tinha sido mãe, pela primeira vez, aos 16. 

- Lúcia, estou grávida - contei sobre a nova vida que viria, em tom de vida.

- Eu também. Acho que vou abortar - ela me disse, em tom seco, sem vida sobre a vida que queria interromper.

Eu teria, aos 27 anos de idade, minha primeira filha.

Lúcia, aos 29, teria seu quarto bebê.

Lúcia reviu sua decisão de abortar. Semanas depois da nossa conversa, ela confessou à minha mãe que daria a criança para adoção.

A criança nasceu. Não soubemos sequer do seu destino - ela não deixou -, como se deu a sua entrega para a adoção.

Exatamente uma semana depois, Lúcia apareceu com Cecília (*) na minha casa. Ela estava aos prantos, desesperada.

- Fui atrás da minha filha. Não tive coragem de abandoná-la.

Foi um choque. Lúcia, uma mulher pobre e enfraquecida, não só pelo parto, mas também pela situação extremamente vulnerável, atravessou Minas Gerais e foi até Goiás, sabe-se lá com que força, com que dinheiro e foi atrás do casal que estava com a guarda da Cecília. Ela tomou a menina do casal à força. Estava ali, na minha casa, enfrentando uma verdadeira guerra judicial, naquele momento. Foi uma adoção totalmente irregular. Ela entregou a criança diretamente para o casal, pelo que me lembro. Mas a Justiça interveio na época para resolver o caso.

Eu estava numa situação totalmente diversa, tranquila, com a minha filha, também recém-nascida no colo, recebendo todo o amparo do pai dela e da minha família. E, naquele momento, aprendi que:

  • Aborto é sempre uma decisão dolorosa, e não se restringe apenas a "o corpo é meu, e eu posso fazer o que quero com ele". É algo bem mais complexo, que só que está prestes a tomar a decisão entende
  • Quando uma mulher decide fazer um aborto, ela já chegou numa situação extrema de abandono: abandono do pai da criança; abandono dos seus familiares; abandono de políticas públicas que a ampare e que ampare a criança.
  • Dizer "não aborte, dê a criança para adoção" não é tão simples, porque dar uma criança para adoção gera julgamentos: julgamento da sociedade por ter engravidado; julgamento da sociedade por ter abandonado a criança; julgamento da própria consciência. Sem políticas públicas que amparem a mulher numa tomada de decisão como essa, esqueça! Não fale em dar para adoção. 


Bem, voltando à historia, a Lúcia enfrentou uma tremenda guerra judicial mesmo. Foram muitas as dores de ambos os lados: dela e, claro, do casal que colocou toda uma expectativa em cima da adoção. Foi só uma semana de contato entre o casal e a criança? Não, não podemos pensar assim. Eles também, com certeza, têm uma história, que nunca cheguei a conhecer, de dor, de luta por um(a) filho(a) adotivo(a), e não podemos medir o sofrimento por que passaram em ver aquele sonho escorrer pelas mãos. Sei disso, porque vi o quanto lutaram pela Cecília.


Quanto à Lúcia e à Cecília, há alguns anos não as vejo. Tenho uma saudade danada da Lúcia que, por anos, fez parte da minha vida.  

(*) Nomes fictícios. 

domingo, 21 de maio de 2017

Um desabafo

Estou vivendo uma crise de valores morais e éticos, desde que Andréa Neves foi presa e que o STF mandou suspender o mandato de Aécio no Senado. Eu sabia que, um dia, isso aconteceria. Não que haveria prisão e suspensão de mandato dessa corja, que é a família Neves. Mas que eu comemoraria qualquer desgraça que acontecesse com eles, caso ela acontecesse, colocando em xeque tudo aquilo que prego de moral, ao longo da minha vida. A minha briga com o PSDB se iniciou bem antes da "era Aécio e Andréa" em Minas. Começou com Eduardo Azeredo, em 1996. Eu era recém-formada, cobria política municipal.
Dr. Célio de Castro era o prefeito de Belo Horizonte. Havia vencido figurões da política belo-horizontina como a senadora Júnia Marise, do PMDB, Virgílio Guimarães, do PT, e Amilcar Martins, apoiado pelo governador Azeredo. Dr Célio era um então desconhecido e venceu com o genial slogan "é o melhor, e vai ganhar". Nós, belo-horizontinos, acreditamos naquilo. Dr. Célio foi o cara que primeiro me ensinou que, sim, é possível fazer política de forma séria, comprometida, ética, e que nem todos os políticos são iguais. Esqueçam o jargão "todo político é ladrão". Dr. Célio não se encaixava nisso, ele estava longe do jogo sujo da política que me fizeram acreditar, durante os anos da ditadura militar, que não havia solução. Eu me encantei pelo Dr. Célio. E passei a dar espaço para ele nas minhas matérias, com o apoio do meu editor, também um admirador do novo prefeito de BH. Eu era uma repórter atrapalhada, uma criança praticamente e, no meu primeiro encontro com o Dr. Célio, o cerquei no meio de uma escada, quando ele estava se preparando para votar, no segundo turno das eleições em que ele certamente seria vencedor - todos já sabiam do resultado - para entrevistá-lo. No final da longa entrevista - com um gravador de fita cassete - disse para o futuro prefeito da capital, sem nenhum constrangimento: - Droga! Falhou. Não gravou nada. Deu mau contato. Podemos gravar de novo? - Claro, sem problemas. - E o senhor pode segurar o gravador pra mim? - Sem problema algum, querida. Sim, esse foi o meu primeiro contato com aquela figura encantadora de quem tenho tanta saudade. Mas voltando ao PSDB, o espaço que estava dando ao Dr. Célio incomodou o governador da época. Foram vários os atritos com o governador e com seu pupilo Amílcar. Vários. Na mesma proporção, crescia a confiança do Dr. Célio em mim. Não adianta dizer que jornalistas são imparciais. Nossa visão de mundo, nossas simpatias e antipatias, nossos valores, tudo está ali na matéria, na forma como a escrevemos, no espaço que damos para a fala do entrevistado, no espaço que damos para a própria matéria. Estava claro o quanto eu e o meu editor gostávamos do Dr. Célio. Meu editor saiu do jornal. Perseguição do governador. E o editor geral veio pra cima de mim, num telefonema que recebi, já tarde da noite, num tom extremamente agressivo, do qual nunca vou me esquecer. Aos berros, me disse: - Suas matérias, de agora em diante, vão passar pelo assessor do governador. Nada sai sem passar por ele. Entendeu? Não deu uma semana, e eu fui parar na editoria de Cidades. Não deu um mês, eu pedi demissão. Resolvi que não me sujeitaria ao Azeredo. Fui para as Assessorias de Comunicação, trabalhar com quem me respeitava. O governo seguinte, do Itamar Franco, nos deu um descanso. Logo depois, aí sim, vieram os anos mais pesados para o jornalismo mineiro, com Andréa e Aécio comandando toda a imprensa de perto. E eu, definitivamente, já estava longe da grande imprensa, pois não passaria, de novo, o que passei com Azeredo. E eu garanto a vocês que minha história com Azeredo foi fichinha perto do que o que meus colegas passaram com os irmãos Neves. Houve invasão de apartamentos; apreensão de equipamentos de trabalhos; prisões, não só de jornalista - e olha que tenho diferenças com esse jornalista, mas também de publicitário, que ousaram denunciar o então governador. Foram inúmeras agressões aos direitos e garantias fundamentais que só se viram durante nossa ditadura. Nós, jornalistas mineiros, vibramos muito com tudo o que aconteceu essa semana. E incrivelmente fomos cobrados por isso. Exatamente isso que estão lendo: fomos cobrados por isso. Fomos, por mais de uma década, pisoteados nos nossos direitos, nas nossas liberdades, na nossa dignidade, na nossa sobrevivência, e estamos sendo cobrados e criticados por quem não sofreu na pele o que sofremos. Desculpem-nos, mas nós temos esse direito de desabafar. Não estamos totalmente satisfeitos ou livres, pois parte da nossa imprensa ainda está presa a grupos empresariais que ferem os mais diversos direitos dos nossos colegas. Minas é um estado que ainda cheira ao coronelismo, quando o assunto é jornalismo. Mas continuaremos lutando para que Andréas e Aécios sejam cada vez mais exceções, e não regras no nosso estado.

domingo, 14 de maio de 2017

A melhor parte de mim

Todo ano, no Dia das Mães, as redes e a vida se enchem com aquelas mensagens "lindas": ser mãe é a mulher no seu estado mais sagrado. Fora o clichezão que a gente ouve, desde que o mundo é mundo, e que é reforçado nessa época: ser mãe é padecer no paraíso...

Para, gente. Ser mãe é a mulher no seu estado mais humano mesmo. Ser mãe é padecer aqui nessa terra absolutamente todos os dias. Não tem outro paraíso, nem outro inferno pra gente padecer coisa nenhuma.

E a gente começa padecendo já na gravidez. Pelo menos, foi assim comigo. Claro que cada caso é um caso. Fiquei sabendo que seria mãe na mesa da ginecologista, fazendo ultrassom, durante uma crise de cólica, por conta de um probleminha chamado "placenta prévia". Gravidez de altíssimo risco.

Eu passava tanto mal, que achava que a Ana ia nascer pela boca. Vomitei do primeiro ao último dia de gravidez. Só me alimentava de melancia, bife de fígado e tempero de Miojo. Combinação lindíssima. Experimentem um dia, vocês vão A-DO-RAR.

E, no meio disso, uma mudança de casa. Lá vou eu na Cemig pedir desligamento da luz da casa de onde eu estava saindo...

Quatro meses de gravidez, não tinha barriga nenhuma, seca que eu era, enfrentei a fila.

No guichê de atendimento:

- Paga essa conta e volta aqui pra gente providenciar o desligamento.

Paguei, voltei, mas sem enfrentar nova fila, porque aí já seria desaforo demais. Só que o rapaz que havia me atendido tinha saído para fazer um lanche. Era outro atendente:

- Você tem que enfrentar a fila.

- Olha, eu já passei por aqui antes. Só vim trazer a conta que paguei para que vocês providenciem o desligamento da luz da casa de onde estou saindo. No mais, nem precisava ter enfrentado a primeira fila. Estou grávida.

Ele me olhou de cima a baixo, com a cara mais debochada do mundo:

- Grávida? Sei.

Nisso, eu abri a boca pra chorar. Retirei todos os exames que estavam na bolsa e joguei na frente dele, chorando altíssimo, com a boca parecendo a da Gretchen pós-plásticas:

- Estou grávida, sim. Gravidez de alto risco. Nem era pra eu estar aqui. Não posso nem sair de casa.

Toda a Cemig apareceu pra me atender, tamanho o meu drama a la Maria do Bairro. Água. Café.
Pessoas me abanando, me consolando... faltei voltar carregada pra casa.

A Ana nasceu.

Uma semana inteira sem dormir. Ela não pegava o peito. Esqueçam aquela história de que todo bebê já nasce sabendo mamar. Mentira. Nem todos. Eu tirava o leite do peito e dava pra ela com a colher, pra ela não se acostumar com mamadeira. Ela só aprendeu a amamentar uma semana depois. Pedra no peito esquerdo, febre, antibióticos foi o que ganhei de presente nessa brincadeira.

Nos dois primeiros meses, acordava de três em três horas para amamentar. E pensava: quando vou voltar a dormir oito horas seguidas?

Depois, acordava de hora em hora. Isso, até a Ana fazer um ano e meio de idade. E pensava: quando vou voltar a dormir três horas seguidas?

Detalhe: ela me chamava de "dedeira". Nem de mamãe, ela me chamava. Era "dedeira". Foram as duas primeiras palavras que ela falou na vida: papai e dedeira.

O lado bom disso tudo é que a pestinha não adoece fácil, e não adoece mesmo. Taí algo que não é mito: amamentação fortalece nossos filhos. Conto nos dedos de uma mão só quantas vezes na vida a Ana teve uma febre.

E a mocinha foi crescendo...

Aos sete anos: - vou fazer Direito.

Pensei: - vai mudar essa escolha ao longo da vida, nem deve saber o que é isso direito (sem trocadilhos)

Um dia, enquanto ela ainda tinha sete anos, tivemos aquelas brigas duras entre mãe e filha:

- Quero a minha pensão - requereu a futura bacharel em Direito.

- Aaaaaaaaah, a senhora quer sua pensão? Saiba que a responsável pela sua pensão sou eu, a pessoa que tem a sua guarda - respondi.

- Você, por acaso - continuou a pestinha -, sabia que tem uma parte da pensão destinada ao entretenimento? Você sabe o que é EN-TRE-TE-NI-MEN-TO? Eu quero essa parte todo mês pra mim.

E eu, segurando pra não rir, pensei: - ela realmente irá para o Direito, e dará muito trabalho aos adversários.

Sim, a Ana está indo para o Direito, quer trabalhar com Direitos Humanos, só não sabe ainda como irá atuar. Tenho certeza de que irá brilhar.

Não me lembro de ser tão politizada, tão bem informada e ter tanto poder de argumentação quanto ela aos 18 anos, idade que ela tem hoje.

A cada debate nosso, eu me encho de orgulho em ver o quão sólida é sua formação humanitária, a sua formação política totalmente voltada para o bem-estar social, para o bem-estar do outro, para, como eu já disse, os Direitos Humanos.

E, assim, eu tenho muito orgulho de mim, como mãe, de ter conseguido passar esses valores para minha filha. E, claro, agradeço aos meus pais, que me ajudaram muito, enquanto estiveram com a gente.

Quanto ao Tito, pai da Ana, é muito fácil dividir a criação dela com ele. Acho que nunca divergimos sobre a criação da nossa filha. Nossos valores e concepção de mundo sempre foram muito parecidos. 
E isso ajudou muito a construir a pessoa que ela é hoje.

A Ana é muito parecida comigo. Não só fisicamente, mas nos gostos. Ama política, é de esquerda, é da turma dos Direitos Humanos, ama o Rio, ama funk, samba, Beatles, Chico e Tom tanto quanto eu.

É uma grande parceira de viagens e shows. Não me lembro bem quando começou essa parceria em shows, mas me lembro de quando ela me acompanhou, pela primeira vez, num show que era meu: Edu Lobo.

Palácio das Artes, ela tinha 12 anos, antes de começar a apresentação:

- Mãe, você me trouxe num show ou num asilo? Olha a idade dessas pessoas que estão aqui. Eu não estou gostando disso.

Mas gostou. Ao longo do show, foi fácil pra ela acompanhar o Edu em Beatriz, Ponteio, Choro Bandido, Canto Triste, músicas que ela ouve desde que estava na minha barriga.

Enfim, nesse Dia das Mães, é importante entender que ser mãe é da natureza humana, não é realmente nada divino. Há muitas dificuldades nesse processo. Mas é divino (no sentido de "ser maravilhoso") formar alguém tão parecido conosco e ver o quanto essa pessoa pode ser companheira.

A Ana, hoje, é minha melhor amiga, a melhor parte de mim.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Nós, mulheres

Muitas mulheres, mulheres inúmeras, múltiplas e diversas... Diversas em raças, etnias, orientação sexual, classes sociais, profissões, idades, experiências... Mulher quilombola, mulher trans, mulher lésbica, mulher bissexual, mulher com deficiência, mulher branca, mulher hétero, mulher negra, mulher magra, mulher obesa, mulher jovem e mulher não tão jovem mais.

É com essas mulheres, com essa diversidade de mulheres, que tenho me reunido, há algumas poucas semanas, para desenvolver um trabalho voltado exclusivamente para nós, mulheres, cujo resultado final será apresentado nos próximos meses.

A cada reunião, muitas histórias de luta e, claro, muito aprendizado.

Nossa primeira resolução: nesse grupo, a voz de cada mulher será respeitada.

Mesmo porque, num grupo que reúne tantas mulheres fortes e de luta, impossível silenciar ou não dar espaço para essas vozes.

E dá-lhe discussões tensas, intensas, densas e... Nossa! Discussões lindas, que só fortalecem a luta de nós, mulheres.

- Eu não vou abrir mão de ter as mulheres bi representadas e fortalecidas - declarou a Bella. E continuou: - Se estou aqui para representá-las e lutar por um espaço, é isso que vou fazer.

Paralela à fala forte e incisiva, as lágrimas de indignação davam a ideia exata das dificuldades enfrentadas pela representante das L e Bs, do LGBT. Percebi ali toda a ansiedade para se ter fala, para ser representada, para se ter visibilidade nesse mundo machista, misógino e homofóbico que silencia nós, mulheres. E silencia ainda mais as lésbicas e bi.

Como eu disse na reunião de hoje, somos uma minoria (numericamente maior, mas minoria em direitos, como a Lu bem nos lembrou) com inúmeras minorias entre nós.

Bella representa uma minoria dentro da minoria. A luta da Bella não é igual à minha, mulher branca e hétero. É muito mais árdua. E só ela ou outra representante do movimento para falar sobre a dor de se enfrentar um mundo tão desigual, tão desrespeitoso em relação à diversidade sexual.

Da mesma forma, é muito mais árdua a luta da mulher negra, quilombola, cigana, da mulher com deficiência e de todas essas minorias presentes na "minoria mulher".

- Acho que um livro na mão de uma das mulheres representa bem o conhecimento, e conhecimento está ligado a poder - sugeriram.

Sim, para muitas de nós, sim. Para outras muitas mais, não.

Por que eu, jornalista, que amo estudar e ler, tenho mais conhecimento que uma mulher sem acesso aos estudos? Que conhecimento é esse que detenho e me deixa acima da companheira sem estudos?

Hoje, a Terezinha, representante da mulher com deficiência, nos deu uma aula de acessibilidade, de inclusão social da mulher com deficiência e de cidadania. A Terezinha, que, segundo ela própria, teve poucas oportunidades de estudo. Ela falou sobre uma luta e um mundo muito distantes do meu. E eu fiquei ali, admirando aquela mulher e toda a sua cultura e conhecimento em relação a uma área na qual eu sou totalmente ignorante, iletrada.

Por que, então, um livro empodera uma mulher?

E, assim, nessas discussões, nesses encontros, vamos desconstruindo preconceitos e mitos referentes a nós mesmas. Vamos aprendendo que mulheres diversas, unidas e em constante diálogos são mais fortes e capazes de ocupar os lugares, antes, restritos aos homens. Aprendemos que ouvindo a outra, aprendemos... Aprendemos sobre a dor da outra, sobre a vida, a luta e sobre como vencer. Aprendemos que dando fala a outra, aprendemos... Não silenciar nenhuma de nós tem sido a grande lição desses encontros. Encontros esses que espero que se tornem múltiplos, inúmeros, diversos como nós, mulheres.