Acabei de almoçar com meu vizinho Lô Borges.
Foi assim:
Cheguei no self-service, ao lado da minha casa, e Lô tava lá, sentadinho na mesa, sozinho, almoçando. Parei, em pé, na frente dele, com meu pratinho, na mó cara de pau, e me ofereci (porque sou, sim, oferecida):
- Oi, Lô, posso me sentar com você?
- Não.
- Por que não? O self-service tá lotado.
- Não tá não. Tem um monte de mesa vazia.
- Não tem não. Olhe bem ao redor.
- Tô olhando. Tirando a mesa aqui ao lado (apontou uma mesa com seis pessoas), todas as outras mesas estão vazias.
- Por enquanto. Daqui a dois minutos, isso aqui vai tá lotado. Conheço bem. Moro aqui há quatro anos. Precisamos aprender com os japoneses a aproveitar bem os espaços. Por que você vai ficar sozinho nessa mesa com mais três cadeiras vazias? Você é uma figura pública, respeitada, precisa dar o exemplo.
- Ok ok ok... senta aí.
- Obrigada, ídolo.
Sentei na frente dele.
Estávamos almoçando, quando o interrompi:
- Canta "Clube da esquina nº 2" pra mim.
- Não.
- Por quê?
- Porque estou almoçando.
- Você não sabe almoçar e cantar ao mesmo tempo?
- Não.
- Precisamos aprender com os japoneses a aproveitar nosso tempo melhor.
- Os japoneses almoçam absolutamente em silêncio para apreciar melhor a comida - ele disse.
- Isso é lenda. Eles almoçam cantando - respondi. Morei no Japão por dois anos. Inclusive, sei cantar "Clube da Esquina nº 2" em japonês. Quer ouvir?
- Não.
- E "O Trem Azul"?
- Também não.
Gente, logicamente, isso é fanfic. Na verdade, na verdade, eu apenas almocei no mesmo self-service do meu vizinho de rua Lô Borges. Eu na minha mesa, e ele, na mesa dele.
(História do dia 25 de agosto, que esqueci de postar aqui)