Ela se sentou na mesa, com aquele jeito "nem aí pro mundo de ser", com as mãos cruzadas, e ficou absolutamente muda, olhando pra gente, sem saber o que dizer ou fazer.
Eu e o Alberto Santiago estávamos bem de frente pra ela e percebemos a situação.
Puxamos assunto.
- Oi! Você é a professora de radiojornalismo, né?
- Sim - respondeu monossilábica. Ela estava estática naquela mesa. Mal se movia.
- Como é seu nome?
- Maria Líbia.
E outros colegas, também percebendo a professora acuada, mas com uma aura bacana pra caramba - a Líbia não enganava ninguém, era puro anjo em forma de gente -, começaram a puxar papo.
E, assim, fomos nos tornando íntimos daquela professora que logo se tornou referência em rádio e TV pra toda a turma, pra todo o Prédio 13 da PUC. E, pra muitos, inclusive, pra mim, referência pra vida.
Último período. Líbia se tornara rápido, pela competência, profissionalismo, dedicação, coordenadora do curso de jornalismo.
- Líbia, nossa turma quer falar com você. Dá pra ir na nossa sala?
- O que vocês querem?
- Ah, tem um professor que não dá pra engolir. Como a PUC coloca um cara daqueles pra nos dar aula?
- É o terceiro professor que vocês vão tirar no último período do curso. Assim, vocês me matam do coração. Vou lá depois do intervalo.
E chega a Líbia na sala.
- Qual é o professor dessa vez?
- Você.
- Eu? O que tá acontecendo, gente? Que pegadinha é essa? Nem tô entendendo mais nada.
- A gente quer te convidar pra paraninfa da nossa turma.
E o choro veio fácil. De todo mundo, inclusive. A primeira turma da PUC de jornalismo para que ela deu aula também foi a primeira da qual ela foi paraninfa. Deu pra entender, gente?
Líbia se tornou uma grande amiga minha. Eu dizia que ela era minha madrinha no jornalismo. Era a ela que eu recorria pra me aconselhar antes de dar meus pequenos ou grandes passos na carreira. E até na vida.
Este ano, a Líbia nos deixou, em março, mês da mulher. Como mulher única, exemplo de vida, de luta, como referência para inúmeras de nós, filhas do prédio 13 da PUC, não poderia ser diferente.
Da Líbia, ficarão sempre as boas lembranças; as palavras certas; a simplicidade com que levava a vida, apesar da grandiosidade do ser humano que era.
E que sorte eu tive de termos nossos caminhos cruzados!
E que falta ela tá fazendo!