Cheguei em casa com uma enxaqueca daquelas de me derrubar na cama, tudo por causa da TPM. Aí lembrei que tinha comprado Dipirona ontem, exatamente, por conta da minha cólica. Dipirona, santo remédio pra minha cólica e pra minha enxaqueca de TPM.
Fui procurar o remédio na minha bolsa, e nada. Na gavetinha dos remédios, e nada. Comecei a entrar em pânico, revirei a casa toda, e nada. Decidi ligar pra farmácia pra fazer o pedido.
Liguei do celular, pois o aparelho do meu fixo está quebrado há um ano e, como não uso ele pra nada, não comprei outro. O problema é que o meu cadastro na farmácia é o número do fixo.
Liguei.
Atendente:
- Boa noite! Qual o seu endereço?
- Joga o número do meu fixo, que tá cadastrado. É que ele está quebrado há um ano e, como não uso ele pra nada, não comprei outro.
- Sem problemas. Passe o número.
- É o 36...
- 36...??? Perguntou a atendente.
- Ai, esqueci. Não uso ele pra nada, né? Não lembro mesmo o número.
- Tudo bem, vamos fazer o cadastro com o número do seu celular.
E aí começou o interrogatório:
Nome completo
Nome da mãe
Nome do pai
Data de nascimento
Documento de identidade
Endereço
Nome do cachorro
Nome da filha
Time pra que torce
Coca ou Pepsi?
PT ou PSDB?
Três últimas coisas que comeu hoje
Série favorita
Tá boicotando a Netflix?
Ponto de referência
- Olha, o ponto de referência é a farmácia de vocês mesmo. Fica a três quarteirões da minha casa, mas não tô dando conta de ir lá não, porque minha cabeça tá doendo pra caramba. Tô praticamente em coma.
- Sem problema, vamos mandar o remédio.
Quando ela disse isso, de repente, não mais do que de repente, tropecei na porra da Dipirona que comprei ontem. Falei logo:
- Menina, ói só procê vê. Foi só conversar com você que minha enxaqueca passou. Pode cancelar o pedido. Grata! Beijos!