sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Noooooooooooooooooooooooó

Vim pra Sélagoas hoje, cidade onde meus pais nasceram, onde eu passava férias durante a infância e adolescência na casa dos meus avós, onde eu inclusive morei por alguns anos, já adulta, e onde minhas irmãs optaram por viver atualmente. Minha irmã deu a dica:

- Tem uma van que sai da Cidade Administrativa, que deixa você na porta da minha casa.

E frisou o “na porta da minha casa” umas tantas vezes.

Minha irmã me passou o telefone do motorista. Liguei, marquei tudo direitim com ele, expliquei onde ficaria.

- Aaaah, eu deixo uma outra moça lá pertim. Podexá que eu te deixo lá também -, ele garantiu.

Assim, hoje, no horário marcado, viemos pra Sélagoas.

Duas horas sacolejando na van. Nunca vi uma estrada com tanto quebra-molas na vida. Fazia bons anos que não passava por ela, a tal “estrada velha”, como é conhecida, ou rodovia MG-424, que passa por absolutamente todas as cidadezinhas vizinhas a Sélagoas. Daí tanta demora em chegar e daí tanto quebra-molas.

Durante o caminho, vim trocando umazideia aí com a minha amiga Paulinha, no WhatsApp, sobre unzassunto aê:

- Nooooooooooooooó...

- Juuuuuuuuuraaaa?

- Juuuuuuuuuuuuro.

- Mentiraaaaaaaaaa?

- Que cachorrada!

- Cachorrada meeeeeeeesmo...

- Nooooooooooooooó...

Chegamos em Sélagoas. Cerca de 10 minutos depois, ele me deixou numa avenida e disse:

- É só descer essa rua aqui e virar a primeira à esquerda, que você chega na rua que você quer.

- Ok.

E ele ainda repetiu:

- Desce...primeira rua à esquerda, ok?

- Ok.

Entretanto, esse “ok” significou, na verdade, por algum motivo que até deus desconhece, “não acho importante guardar essa informação, portanto, vou deletá-la da minha vida”.

E assim desci a rua, ainda conversando com a Paulinha no WhatsApp:

- Tô IN DIG NA DA!

- E eu, então?

Passei pela primeira rua, e nada de virar à esquerda.

- Não tô acreditando. Que horror!

- Bota horror nisso, menina.

Passei pela segunda, pela terceira...

- Misericórdia! Como pode uma coisa dessas?

Décima rua... 18ª... 20ª... enfim, quando dei por mim, já estava andando por Sélagoas como se não houvesse amanhã. Não tinha a mínima noção de onde estava. E não tinha a mínima noção mesmo, apesar de conhecer bem a cidade. Mas, enfim, consegui chegar, graças à era da nossa queridíssima tecnologia, sem a qual eu estaria perdida eternamente, se me conheço bem.

Agora, vou ali, continuar minha conversa com a Paulinha.