Vim pra Sélagoas hoje, cidade onde meus pais nasceram, onde eu passava férias durante a infância e adolescência na casa dos meus avós, onde eu inclusive morei por alguns anos, já adulta, e onde minhas irmãs optaram por viver atualmente. Minha irmã deu a dica:
- Tem uma van que sai da Cidade Administrativa, que deixa você na porta da minha casa.
E frisou o “na porta da minha casa” umas tantas vezes.
Minha irmã me passou o telefone do motorista. Liguei, marquei tudo direitim com ele, expliquei onde ficaria.
- Aaaah, eu deixo uma outra moça lá pertim. Podexá que eu te deixo lá também -, ele garantiu.
Assim, hoje, no horário marcado, viemos pra Sélagoas.
Duas horas sacolejando na van. Nunca vi uma estrada com tanto quebra-molas na vida. Fazia bons anos que não passava por ela, a tal “estrada velha”, como é conhecida, ou rodovia MG-424, que passa por absolutamente todas as cidadezinhas vizinhas a Sélagoas. Daí tanta demora em chegar e daí tanto quebra-molas.
Durante o caminho, vim trocando umazideia aí com a minha amiga Paulinha, no WhatsApp, sobre unzassunto aê:
- Nooooooooooooooó...
- Juuuuuuuuuraaaa?
- Juuuuuuuuuuuuro.
- Mentiraaaaaaaaaa?
- Que cachorrada!
- Cachorrada meeeeeeeesmo...
- Nooooooooooooooó...
Chegamos em Sélagoas. Cerca de 10 minutos depois, ele me deixou numa avenida e disse:
- É só descer essa rua aqui e virar a primeira à esquerda, que você chega na rua que você quer.
- Ok.
E ele ainda repetiu:
- Desce...primeira rua à esquerda, ok?
- Ok.
Entretanto, esse “ok” significou, na verdade, por algum motivo que até deus desconhece, “não acho importante guardar essa informação, portanto, vou deletá-la da minha vida”.
E assim desci a rua, ainda conversando com a Paulinha no WhatsApp:
- Tô IN DIG NA DA!
- E eu, então?
Passei pela primeira rua, e nada de virar à esquerda.
- Não tô acreditando. Que horror!
- Bota horror nisso, menina.
Passei pela segunda, pela terceira...
- Misericórdia! Como pode uma coisa dessas?
Décima rua... 18ª... 20ª... enfim, quando dei por mim, já estava andando por Sélagoas como se não houvesse amanhã. Não tinha a mínima noção de onde estava. E não tinha a mínima noção mesmo, apesar de conhecer bem a cidade. Mas, enfim, consegui chegar, graças à era da nossa queridíssima tecnologia, sem a qual eu estaria perdida eternamente, se me conheço bem.
Agora, vou ali, continuar minha conversa com a Paulinha.