Em
maio do ano passado, tivemos um evento importante na firma. Meu cabelo
estava HORROROSO, e eu coloquei na cabeça que ia cortá-lo bem cedo,
antes do evento, pra ir um pouco apresentável. O problema é que minha
cabeleireira de confiança tinha se mudado pra Contagem, e
definitivamente não ia dar tempo de ir até lá.
Decidi, então, entrar no primeiro salão que eu visse pela frente. E não, não tive tempo de pesquisar ou marcar um salão, pois a decisão foi na noite do dia anterior.
Assim, no dia do evento, bem cedo, entrei no primeiro salão que vi pela frente, a uns quatro quarteirões da minha casa. Fui recepcionada com um...
- Ooooooooiiii!!!
Pra minha infelicidade, uma ex-cabeleireira minha estava trabalhando lá e foi me receber. E ela só era/é ex, porque ela é péssima. Mas pensei: vou pedir a ela pra tirar exatamente um dedo, corte reto. Assim, ela tira os quatro dedos que preciso, corte reto... ok. Não tem como dar errado.
Deu errado. Meu cabelo foi parar no meio da orelha.
Ele me mostrou o resultado e ainda teve coragem de dizer:
- Não ficou lindo?
Pausa pra contar uma historinha da Ana Luísa:
Aniversário da Ana de dois anos. Prepararam uma festinha surpresa pra ela na escolinha. Fizeram painel que ia de um canto a outro da parede para esperá-la. Eu levei o bolo, docinhos e refri. Detalhe: ela odiava a escolinha, odiava os coleguinhas, odiava as professores. Enfim, ela ficou puta com a surpresa. A professora perguntou sobre o painel:
- Não ficou lindo?
E Aninha, emburrada, fazendo bico, com os bracinhos cruzados:
- Tá tudo horrível, quero ir embora.
Voltando ao meu cabelo, quando vi o resultado, eu fiquei pura Ana Luísa por dentro. Só conseguia pensar: tá tudo horrível, quero sumir daqui.
Só agora, um ano e três meses depois, meu cabelo voltou ao tamanho que ele era.
Bem... hoje, chegando em casa, quem pula na minha frente com um "oooooiiiii"? Isso, ela mesma.
- Linda, que bom que te encontrei!
- Não acho - pensei.
Ela ainda pegou no meu cabelo e disse:
- Nossa, como ele tá grande e lindo, hein?
- Amanhã, cai - pensei.
Eu não conseguia falar nada, não respondia nada, tava pura Ana Luísa por dentro e por fora.
- Eu tô num salão exatamente ao lado da sua casa - contou a assassina de cabelos.
- Que alegria! - consegui responder, mas ainda com cara de Ana Luísa.
- Aparece lá.
- Com certeza.
Perguntei a ela o endereço do novo salão umas três vezes pra me certificar de que nunca, jamais, em momento algum da minha vida, nem sob desespero, eu piso lá.
Decidi, então, entrar no primeiro salão que eu visse pela frente. E não, não tive tempo de pesquisar ou marcar um salão, pois a decisão foi na noite do dia anterior.
Assim, no dia do evento, bem cedo, entrei no primeiro salão que vi pela frente, a uns quatro quarteirões da minha casa. Fui recepcionada com um...
- Ooooooooiiii!!!
Pra minha infelicidade, uma ex-cabeleireira minha estava trabalhando lá e foi me receber. E ela só era/é ex, porque ela é péssima. Mas pensei: vou pedir a ela pra tirar exatamente um dedo, corte reto. Assim, ela tira os quatro dedos que preciso, corte reto... ok. Não tem como dar errado.
Deu errado. Meu cabelo foi parar no meio da orelha.
Ele me mostrou o resultado e ainda teve coragem de dizer:
- Não ficou lindo?
Pausa pra contar uma historinha da Ana Luísa:
Aniversário da Ana de dois anos. Prepararam uma festinha surpresa pra ela na escolinha. Fizeram painel que ia de um canto a outro da parede para esperá-la. Eu levei o bolo, docinhos e refri. Detalhe: ela odiava a escolinha, odiava os coleguinhas, odiava as professores. Enfim, ela ficou puta com a surpresa. A professora perguntou sobre o painel:
- Não ficou lindo?
E Aninha, emburrada, fazendo bico, com os bracinhos cruzados:
- Tá tudo horrível, quero ir embora.
Voltando ao meu cabelo, quando vi o resultado, eu fiquei pura Ana Luísa por dentro. Só conseguia pensar: tá tudo horrível, quero sumir daqui.
Só agora, um ano e três meses depois, meu cabelo voltou ao tamanho que ele era.
Bem... hoje, chegando em casa, quem pula na minha frente com um "oooooiiiii"? Isso, ela mesma.
- Linda, que bom que te encontrei!
- Não acho - pensei.
Ela ainda pegou no meu cabelo e disse:
- Nossa, como ele tá grande e lindo, hein?
- Amanhã, cai - pensei.
Eu não conseguia falar nada, não respondia nada, tava pura Ana Luísa por dentro e por fora.
- Eu tô num salão exatamente ao lado da sua casa - contou a assassina de cabelos.
- Que alegria! - consegui responder, mas ainda com cara de Ana Luísa.
- Aparece lá.
- Com certeza.
Perguntei a ela o endereço do novo salão umas três vezes pra me certificar de que nunca, jamais, em momento algum da minha vida, nem sob desespero, eu piso lá.