Há uma semana, eu estava passando na porta do supermercado, perto da minha casa, e um garotinho (trem marrlindo do mundo) me pediu pra comprar uma "bandejinha de iogurte". Como eu estava sem minha bolsa na hora, sem dinheiro, sem cartão, sem nada, prometi a ele que, se o visse novamente, compraria o que ele estivesse precisando. Hoje, o reencontrei. Passei por ele uma vez, e nada. Passei a segunda, e nada. Ele ficou caladinho. Até que o provoquei:
- Semana passada, eu fiquei te devendo uma bandejinha de iogurte. Lembra?
Ele se lembrou.
- Do que você tá precisando hoje? - perguntei.
- Huuuummm... - ele pensou com os olhinhos levantados para o céu - Pode ser uma bandejinha de ovos - respondeu.
- E pra você? O que vai querer?
- Huuuuummmm.... - novamente pensou com os olhinhos levantados para o céu - Pode ser um leite.
- Leite? Tem certeza?
- Tenho. Pode ser um leite.
A resposta me deixou no chão. Qualquer criança da idade dele, pertencente ao meu mundo, responderia "chocolate", "balas" ou qualquer outra guloseima. Mas Everton (é esse o seu nome, e ele tem 10 anos, mas aparenta uns sete) me pediu leite. É do leite que a urgência da fome precisa. As necessidades da infância ficam pra depois, bem pra depois. No mundo do Everton, a responsabilidade da vida adulta chega rápido demais.
PS. Lógico que junto com os ovos e com o leite, inclui algumas coisinhas que criança adora 😋