Cinco anos antes de engravidar, li uma entrevista com o Tom Jobim, em que ele dizia que seu sonho era ter uma filha chamada Ana Luíza. Mas ele já tinha uma Ana em casa, a Lontra Jobim, sua mulher. Por isso, sua filha nasceu Maria Luíza.
Quando li aquilo, pensei:
- Por isso, não, Maestro. Minha filha se chamará Ana Luísa (assim, com "s", diferente da Luíza do Tom).
Ana Luísa, um nome duplo, o nome mais lindo do mundo.
Houve uma época em que era moda colocar nomes duplos nos filhos. E nem todos nascidos naquele período obscuro tiveram a sorte de ter um nome tão lindo como a minha Ana Luísa.
Meus avôs paternos, Zinha e Mingo, tiveram nove filhos: João Augusto (ok), Augusto Celso (só minha mãe chamava meu tio assim: Augusto Celso, nome de galã de novela mexicana), Terezinha Benedita, Sebastiana Helena, alguns de que não me lembro e Domingos Geraldo, meu pai. Ele tinha verdadeiro PAVOR de ser chamado assim. Sempre ironizava:
- Como alguém chamado Domingos Geraldo pode ter sucesso na vida?
Gostava de ser chamado pelos apelidos Worinho ou Ló. Todos os irmãos tinham apelidos para evitar o constrangimento na hora de se apresentarem: Zu, Bisu, Eza, Dinha, Gutinho, Bela, Nana...
No velório do meu pai, os irmãos se reuniram e nos recomendaram:
- Quando anunciarem no Programa do Guará (famoso programa de rádio de Sete Lagoas) a morte do Ló, por favor, evitem o Augusto Celso, o Terezinha Benedita...ponham só os apelidos mesmo.
Já meus avós maternos batizaram seus filhos como Luiz Alberto (ok), José Geraldo (ok também), Lêda Marli e Laiz Maria, minha mãe.
Quando se casou, minha mãe tratou de cortar o Maria do nome e passou a grafar o Laiz como Laís.
Laís se casou com Worinho e tiveram seis filhos:
Laís Cláudia: Laís por causa da minha mãe. Cláudia, não tenho ideia do porquê. Laís Cláudia se casou com Élcio Geraldo.
Minha outra irmã se chama Patsy Luciana: Patsy era o nome da personagem de um livro, que minha mãe leu durante a gravidez, uma garotinha que perdeu os pais durante a Segunda Grande Guerra. Luciana, não tenho ideia do porquê.
Alana Andréa: minha mãe, cinéfila, quis homenagear seu ídolo Alan Ladd e deu à minha irmã o mesmo nome da filha do galã hollywoodiano. Andréa, não tenho ideia do porquê.
Romyna Lara. Romyna também em homenagem um dos maiores atores de Hollywood: Tyrone Power, pai de Romina Power. O Lara, eu sei por quê. Lara vem da novela "Irmãos Coragem", em que Glória Menezes fazia o papel de uma mulher, com dupla personalidade, Lara e Diana. E também por causa do "Tema de Lara", trilha do filme Dr. Jivago.
Meus outros dois irmãos morreram logo após nascerem. Visitei o túmulo da Patrícia 20 anos após seu nascimento e morte. Lá estava na lápide: Patrícia das Graças.
- Mãe, que nome é esse? Por que você fez isso com a pobrezinha?
- Foi promessa pra Nossa Senhora das Graças.
- Mas você nem nunca foi devota de Nossa Senhora das Graças. Tadinha da Patrícia. Essa menina sofreu muito na sua curta passagem por aqui.
Meu irmão caçula, o único menino da família, se chamaria Marlon. O motivo já devem imaginar: homenagem ao Marlon Brando.
Eu me revoltei.
- Mãe, nenhuma criança na face da terra merece ter o nome de Marlon.
- Tá bom. Vou colocar o nome dele de Christian. É como você se chamaria se fosse um menino.
Comecei a pensar que tive sorte em me chamar Romyna Lara. Christian é um nome sofrível. Não sei de onde ela tirou isso.
Christian nasceu prematuramente, aos sete meses. O coraçãozinho não resistiu.
Vocês acham que parou por aí?
Não.
Nasceu o Gregory, meu primo, nome escolhido pela minha mãe, por causa do Gregory Peck. Depois, sua irmã Grace...adivinhem o motivo. Pelo menos, se safaram dos nomes duplos.
As homenagens continuaram:
A primeira neta: Stéfanni, por causa da princesa de Mônaco. Escolha de mamis.
E veio a segunda neta, a irmã da Stéfanni. Na maternidade, minha irmã me pediu:
- Escolha um nome parecido com Stéfanni para sua afilhada.
E eu:
- Dáffny, do Scooby Doo.
Minha afilhada nunca me perdoou.
Bem, os nomes esquisitos da família pararam por aí...por enquanto.